O que é?

A Casa Estrela é exemplar e única no mundo diante de sua forma e propósitos. Depois de servir como habitação da Família Castro no bairro Alto da Glória, em Curitiba, foi desmontada, transportada, restaurada e reedificada no Câmpus Curitiba. Hoje, faz parte do Centro Cultural PUC Paraná. Seu principal objetivo é a preservação da memória de uma saga e do patrimônio de arquitetura e engenharia da madeira.

Construída na década de trinta, testemunhou à distância a crise econômica mundial com a queda da Bolsa de Nova York, falência de bancos e realização de movimentos totalitários em vários países europeus. De modo mais próximo, viu a Revolução Constitucionalista de 1932 e a nova Constituição do Brasil de 1934. Foi neste contexto internacional e nacional que se deu início da realização de um sonho. O paranaense Augusto Gonçalves de Castro dedicou-se de corpo e alma à Fraternidade Universal, baseando-se na língua de comunicação internacional Esperanto e no conjunto de conhecimento que reúne ciência, filosofia e religião conhecido como Teosofia.

 

Depois do expediente como perito contador em uma empresa escocesa, munido de poucas ferramentas e um lampião de carbureto, o Senhor Augusto trabalhava até tarde, sem luz elétrica e com o auxílio de apenas sua esposa Dionísia Azulay de Castro.

Usando tábuas de pinho-do-Paraná (Araucaria Angustifolia) com seis metros de comprimento conseguiu erguer dois pisos. O crescimento natural da família e a vontade de compartir seu conhecimento autodidata, Augusto conseguiu habitabilidade em um porão de altura mínima. Ali lecionou alemão, desenho, esperanto, francês, grego, latim e matemática.

O mais notável da Casa Estrela é sua implantação sobre um pentágono regular, de acordo com a matemática de Pitágoras de Samos, revelando facilmente a compreensão da série de números de Leonardo da Pisa Fibonacci e a Teoria da Divina Proporção de Fra Luca Paccioli. Dentro não existem portas; somente nos quartos. O mezanino central permite a livre comunicação de seus usuários, hoje visitantes.

Instalada no Bosque Marcelino Champagnat, tem no porão a Sala Augusto dedicada a exposições temporárias, intimamente conectada ao Anfietatro Doktoro Ludovico Lazaro Zamenhof, criador do Esperanto. Brevemente, será transformado no Auditório das Nações Doktoro Zamenhof, com bandeiras de todos os países do mundo, para conferências, concertos e palestras e, de acordo com o que dizia seu filho e professor de violino Moisés Azulay de Castro: “a casa respirava música e oração”.