Gente da PUC

Gente da PUC - 03 set 2018

Larissa descobriu por onde transformar o mundo

Uma escolha e três mil quilômetros foram necessários para revelar o seu propósito de vida. E agora ela só vai!

Quando na infância perguntavam à Larissa o que ela seria quando crescesse, a resposta saltitava na ponta da língua: médica. Era uma daquelas certezas que são catedrais em nossas vidas, mas que hora ou outra dissolvem ao vento.

Fato é que os anos se sucederam e Larissa Farinha Maffini, que nasceu e cresceu em Ariquemes, no interior de Rondônia, agora está com 22 anos e acaba de se formar em Nutrição na PUCPR.

Não sabe ao certo de onde a ideia surgiu, mas Larissa cresceu a ouvir dos familiares que estudaria Medicina. E com esse projeto desembarcou em Curitiba aos 17 de idade para prestar vestibular na tal PUC do Paraná, da qual tanto ouvia falar na pequena Ariquemes.

Foi um primeiro ano complicado, a mais de 3 mil quilômetros da família. Curitiba era uma cidade que a engolia, enclausurando Larissa em casa, sozinha. E aos poucos a ideia da Medicina foi cedendo espaço a uma paixão: a Nutrição.

A relação de Larissa com a área começou ainda na infância, quando a pequena começou a desenvolver uma série de transtornos alimentares. Da bulimia à compulsão por comida, equilibrava-se sobre episódios que amargaram seus dias, mas que fortaleceram as decisões que a trouxeram até aqui.

Aos poucos a certeza do novo rumo se fortalecia e, com ela, o medo de comunicar à família sobre a mudança nos planos. A bulimia voltou acompanhada de uma depressão e sufocava os dias de Larissa, que enfim conversou com a mãe. O peso do mundo desapareceu de seus ombros: o apoio foi maior do que a surpresa. Um afago em meio aos dias cinzas de Curitiba.

A partir dali, trilharia o caminho que escolheu, repleto de descobertas e realizações. Passar no vestibular foi uma alegria indescritível, mas a grande transformação ainda estava por vir. Uma nova realidade apaixonante, que transborda os olhos de Larissa a cada vez que revisita a própria história.

Era início de 2015 quando ingressou no primeiro semestre do curso. Lembra como fosse hoje da emoção de ter a certeza de estar exatamente onde queria. “Eu chorava em todas as aulas, era ridículo!”, ri de si.

De lá para cá, explorou todas as possibilidades que a Universidade oferece. Passou por iniciação científica, monitoria, projetos da Pastoral, tudo isso sem contar as vivências com comunidades carentes, quilombolas e com presidiárias. Experiências transformadoras que revelaram a Larissa o papel social da profissão escolhida. Transformando a vida de pessoas a partir da alimentação, que vai além dos sabores e valores nutricionais: reflete a realidade social na qual está inserida.

E aqui, cinco anos após decidir pela carreira em Nutrição, Larissa olha para o futuro com a segurança de quem se orgulha de suas escolhas. Sabe que as certezas podem até não ser eternas, mas que é preciso vivê-las com sinceridade. É aí onde encontramos nossas forças. Além de equilibrar os próprios desassossegos do passado, que insistiam em descolorir a vida, hoje traz no peito a convicção de saber por onde transformar o mundo.

Unidas por um propósito

De todas as experiências vividas na graduação, Larissa lembra com carinho especial do projeto Rondon, do Ministério da Defesa. Em 2017 embarcou para participar de um programa em Monte Negro, a 50 quilômetros de sua cidade natal.

“Foi muito gratificante voltar à minha terra e aplicar lá os conhecimentos que aprendi aqui”, recorda com um sorriso de brilhar os olhos. Um olhar de lágrimas iminentes, como as que verteram durante o encontro abaixo.

Era uma manhã de calor úmido, sob o sol sempre presente no interior de Rondônia, quando seus pais encostaram o carro em frente à escola onde Larissa estava atuando. Dele desceu Paulina Maffini, 87, a avó de Larissa, já em prantos. Todos choraram.

Após algum tempo de lágrimas silenciosas, a explicação: Dona Paulina era professora e havia dado aulas ali, naquele mesmo colégio, há mais de 20 anos. O chão era de terra batida e a estrutura, mínima. Agora, ali, avó e neta se reencontravam e viam seus esforços somados para transformar a realidade daquela cidadezinha com pouco mais de 14 mil habitantes.

Um propósito de vida que pode até não ser transmitido geneticamente, mas encontrou ali o caminho para percorrer três gerações da mesma família. De avó para neta.

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