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Homenagem a Laércio Ruffa

Foi com uma bela missa que a PUCPR se despediu do coordenador do curso de Teatro, Laercio Ruffa. O professor, ator e diretor teatral também estava há 25 na direção do Grupo de Teatro Amador da PUCPR, Tanahora.

O corpo foi levado pela família para São Paulo, onde Ruffa nasceu, para ser enterrado. Antes da viagem, amigos, colegas, alunos e admiradores puderam prestar sua última homenagem ao querido artista.

O Padre José Roberto fez um belo texto que sintetizou o que representou Laércio Ruffa para a PUCPR e diversas pessoas. Leia, na íntegra, abaixo:

 

"A razão pela qual estamos aqui hoje arranca de nós muitas lágrimas de dor, aquela que vem do coração e não consegue sair, por isso mesmo dói muito.

Porém, mesmo entre essas lágrimas, estamos aqui porque somos gratos e educados para agradecer. Agradecer ao Deus da vida por ter trazido ao mundo esse homem tão humano, tão anjo, tão ator, tão pai, tão amigo: o nosso Laércio Ruffa.

Nesse momento, quando perdemos fisicamente alguém que amamos vem-nos logo à mente a vontade de brigar com Deus, de dizer umas boas verdades a Ele, dá até vontade de partir pra cima Dele. Mas Deus, na sua infinita sensibilidade, na sua infinita ternura, na sua infinita capacidade de amar, olha para nós e nos diz: “Eu, no seu lugar pensaria o mesmo”.  Mas Ele precisa estar lá, porque senão, quem é que vai dar as boas vindas ao Laércio no céu para mostrar-lhe o palco da eternidade?

E como Deus conhece muito bem as exigências do Laércio, vai preparar-lhe um cenário jamais vislumbrado por ele: luz o suficiente para enxergar o essencial: Cristo; som na medida certa para ecoar a voz que vêm do âmago do ser: o amor; personagens o suficiente para resumir a sua fé: Pai, Filho, Espírito Santo; e a presença feminina que moveu a sua vida para Deus: Maria, a Mãe Aparecida.

Estamos diante de um homem que sabia amar a Deus, amando o seu próximo. Quem conviveu com esse homem sabe o quanto ele pensa mais nas necessidades dos demais que nas suas próprias. Era um homem que sempre estava aqui na capela, rezando, contemplando essa imagem bela de Cristo. O Laércio era um homem de Deus e O serviu por meio da arte: do drama, da comédia, da tragédia. Fez com que seus alunos não apenas dramatizassem, mas colocassem diante de seus olhos tudo aquilo que diz respeito ao ser humano. Parece que o pano de fundo de suas peças era: a vida vale a pena, ainda que em meio à dor e sofrimento, ainda que Severina.

Sendo o Laércio um homem amante da vida e guerreiro por ela, não estamos aqui hoje para chorar a morte, mas para contemplar a vida nova que brota dessa experiência existencial crucial, e que só se compreende por meio da fé, da fé que diz que a última palavra de Deus tem para o ser humano não é a morte, mas a vida eterna.

Nós gostaríamos que a eternidade se limitasse a esse mundo, a esse corpo, a essas aparências, mas Deus nos criou para uma eternidade que não acaba nunca mais. Neste mundo experimentamos apenas um gostinho do que seja essa tal eternidade, mas é na passagem pela morte, depois de uma vida baseada na prática do amor, é que compreenderemos verdadeiramente a razão de um dia termos sido fecundados num seio materno. Bendito seja o ventre que abrigou esse homem, o nosso Laércio. Benditas são as pessoas que estiveram à sua volta.

E agora, vamos terminar dizendo que daqui pra frente vai ficar um vazio? Acredito que o significado de vazio seja: lugar de nada, ausência de qualquer matéria, ideia. Será que o Laércio é isso? Claro que não.

Não fica vazio algum. Fica, sim, um silêncio que não pára de falar desse homem, um silêncio que recupera a cada instante a sua memória viva, um silêncio que nos põe ante nossos olhos os personagens que precisamos ser pra sobreviver, um silêncio que respeita nosso direito de colocar e arrancar máscaras, um silêncio que sem falar de Deus nos aponta para Ele.

Chega, né Laércio: você nunca quis roubar a cena dos outros, e com certeza não quer roubar o lugar de Deus nesse momento. Palavra humana alguma conseguiria consolar nossos corações, por isso você quer que a Palavra de Deus venha enxugar nossas lágrimas, nos carregar no colo, nos fazer voltar às nossas atividades para garantir o pão de cada dia, esse dia que é único, o suficiente para crer que a vida vale a pena e vale mais ainda quando voltada para o seu autor: Deus.

Vai Laércio, o céu te espera. Os palcos da vida deste mundo são imprescindíveis, mas nada comparados ao palco do Reino dos Céus, onde Deus lhe confere a graça de atuar como protagonista, único, irrepetível, você: imagem e semelhança de Deus. Obrigado por existir em nossas vidas. Que Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, lhe acolha com os braços abertos. E, lá de cima, interceda por nós aqui embaixo. Amém."

Padre José Roberto

Apresentação

Criado em Abril de 1980, o grupo de teatro Tanahora, promove atividades artísticas no meio acadêmico e na comunidade local.

Nos primeiros sete anos, sob a direção de Lineu Portela, o grupo destacou-se com as performances: O Auto da Compadecida, Desventuras de um Morto Vivo, Arca de Noé, Andar sem parar de Transformar e Dá um Tempo.

A partir de 1988, tendo na direção Laercio Ruffa, o Tanahora conquistou várias premiações, participando inclusive de festivais, no país e no exterior. Encenou os espetáculos: A Aurora da Minha Vida, Alice do outro lado do Espelho, Escola de Mulheres, Gota D´água, Bella Ciao, A Comédia dos Erros, Entre Quatro Paredes, Otelo, Orquestra de Senhoritas, Femina, Lua de Cetim, Melhores Dias, O Doente Imaginário, Histórias de Verão, The Sun is Up, Miguilim e Homem ao Vento.

" A participação no grupo é um aprendizado e uma maneira lúdica de crescer juntos.
O contato com a arte transforma as maneiras de encarar a vida"


Laercio Ruffa

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ - PUCPR

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