PUCPR

Sub Menu contents
Carregando..

Confira entrevista de um dos palestrantes do Fórum de Juventude

Evento aconteceu no dia 18 de abril com o tema “O Jovem como sujeito social\"

No dia 18 de abril aconteceu na PUCPR o Fórum de Juventude com o tema: "O Jovem como sujeito social". Entre os palestrantes, a Universidade recebeu o professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Juarez Dayrell. Confira entrevista realizada durante o evento:
 

Pastoral da Universidade (PdU) - Segundo suas pesquisas, quais os pressupostos para que o jovem se constitua como sujeito social? Como o ambiente universitário pode contribuir para essa constituição?

Profº Juarez – Os pressupostos básicos dizem respeito à própria compreensão do ser humano no sentido de que ele se constrói, que não nasce pronto, não nasce geneticamente determinado, mas se constrói no conjunto das relações sociais que ele vivencia. Constrói-se como sujeito na medida em que amplia sua rede de relações sociais.

Constitui-se enquanto sujeito na medida do desenvolvimento de suas potencialidades enquanto ser humano e no desenvolvimento de uma identidade cultural, enquanto sujeito sócio cultural, e no desenvolvimento de sua própria identidade pessoal enquanto indivíduo.

Eu parto do pressuposto, numa perspectiva antropológica, de que o ser humano é único ser vivo que é ao mesmo tempo igual a todos como espécie, diferente de alguns enquanto grupo cultural e diferente de todos enquanto indivíduo.

A Universidade pode ajudar como pode atrapalhar vai depender muito da qualidade das relações sociais que se constrói num determinado contexto, numa determinado ambiente. A princípio eu acredito que a universidade contribui na medida em que dá elementos para que esse sujeito se pense mais, reconheça seu lugar no mundo e tenha mais elementos para atuar nesse mundo.

Assim, a Universidade, as relações que se criam ali, entre professor – aluno, aluno – aluno, pode significar um suporte no processo de subjetivação desse aluno, de construção do projeto de vida, onde as dimensões dos valores, da solidariedade estejam presentes na sua relação com o mundo.

 

PdU - O senhor apresenta a cultura juvenil (de forma especial, o funk e rap) como espaços de vivência, construção de identidade e elaboração da realidade a que os jovens estão submetidos. O senhor acredita que as redes sociais se enquadram como locais de construção de identidade e elaboração da realidade?

Profº Juarez – Também, há certa controvérsia em relação às redes, como se elas em si pudessem construir realidade, eu as vejo muito como a expressão daquilo que você vivencia. Utilizando a ideia de on line e off line, aquilo que você vivencia off line no seu dia a dia, a relação com as pessoas, as suas experiências sociais, isso se reflete on line. O que a rede possibilita é a potencialização disso, uma ampliação das relações, uma ampliação do acesso ao conhecimento, mas ela em si não tem o peso de uma experiência, eu acredito nas relações pessoa – pessoa, como marco fundamental na construção de um individuo.

 

PdU - Como o senhor entende as manifestações políticas, ideológicas dos jovens através das redes sociais?

Profº Juarez – Se não existissem jovens antenados com determinada questão social que articulassem um mínimo de um grupo isso também não ia aparecer na rede. O que a rede faz é potencializar e criar formas alternativas de mobilização. As redes sociais, hoje, são um reflexo de um processo de transformações muito mais amplo que a sociedade ocidental está vivenciando, no sentido de avanço tecnológico, da centralidade das informações e como isso, também, transforma os indivíduos.

Para minha geração os movimentos sociais se davam na relação com a Ditadura Militar, naquele momento era senso comum entre nós, de que a organização, a causa era muito maior de que os indivíduos. Abria-se mão da subjetividade, do amor, dos interesses individuais em nome de uma causa mais ampla, nós eramos subsumidos nesse contexto mais amplo.

Hoje os movimentos sociais juvenis colocam de forma diferente, eles articulam uma dimensão da subjetividade com a dimensão do coletivo, as coisas não aparecem separadas, elas são muito interligadas. Na semana passada aconteceu um debate em BH e foi muito significativo um jovem dizendo das características que ele acreditava de um novo movimento social e a primeira questão que ele colocava era a dimensão do afeto.

Assim, as redes sociais contribuem para amplificar, divulgar e mobilizar mais. Por exemplo: você coloca no Facebook e imediatamente você tem mil, duas, três mil pessoas envolvidas, sabendo daquela história, isso facilita muito. No meu tempo nós utilizávamos cartazes, panfletos, boca a boca. Agora você tem uma facilidade de acesso muito grande, isso também vai construindo características diferenciadas nesses movimentos, por exemplo: a dimensão do humor, a dimensão da paródia onde os movimentos tendem a se colocar de uma forma muito criativa, utilizando muito o corpo como forma de expressão, eles possuem características muito próprias dessa geração.

 

PdU – Em sua concepção, as redes sociais são instrumentos que contribuem para a formação de jovens politizados?

Profº Juarez – Ao mesmo tempo em que facilita e amplia o acesso a informação ela também dilui a veracidade de cada informação, se você entra no Wikipédia você acredita e não acredita no que está ali, porque não sabe quem colocou a informação. É próprio da rede esse caráter ambíguo como a própria realidade humana que também é ambígua, dessa maneira reforça minha perspectiva de que ela reflete a realidade, o online reflete muito o offline, a forma como você está relacionando. Eu não acredito que um jovem vai se politizar na rede, eu acho que ele vai construir o interesse por algum motivo ou alguma experiência que ele vivenciou a e a partir daí ele vai buscar, aí sim a rede vai facilitar e ampliar esse acesso.

 

PdU - Na sua opinião como deve ser o posicionamento das instituições(estatais, privadas, não governamentais), em relação a participação dos jovens universitários, nos processos de construção de projetos, programas e políticas para a juventude?

Profº Juarez – Eu ampliaria até para além de jovens universitários. Eu percebo que há uma desconfiança a priori do mundo adulto em relação aos jovens, uma descrença em sua capacidade de construir seu próprio movimento, apontando questões válidas. O que se percebe tanto na escola e nas instituições adultas é que há uma dificuldade muito grande de interlocução, onde se reconheça o jovem como interlocutor válido naquilo que lhe diz respeito.

Nas instituições políticas, por exemplo, nas decisões partidárias o jovem é pouco escutado, quando ele é absorvido, é de forma instrumental, ele se torna um adulto deixando de ser jovem para ser reconhecido.

No Brasil a partir de 2003 no governo Lula surgiram diferentes instâncias de representação da juventude nos governos municipais, estaduais e federal, coordenadoria ou secretarias de juventude. Contudo essas instâncias em primeiro lugar que não tem poder, segundo não tem recurso, não tem orçamento próprio e terceiro colocam o jovem para dizer que é ele quem está definindo, mas esse jovem não é reconhecido, não tem poder, não tem força política. Existe um conselho nacional de juventude quem vê isso na imprensa. Aconteceu no ano passado a Conferencia Nacional de Juventude qual imprensa que repercutiu isso, nesse sentido, há certa desconsideração do jovem como sujeito político, como ator válido, que coloque suas questões, suas demandas.

 

PdU – Os Fóruns de Juventude tem como objetivo propiciar discussões, trocas de experiências entre organizações, instituições que trabalham com juventude e também os próprios jovens buscando assim, contribuir significativamente para a ampliação e aprofundamento das temáticas relacionadas à realidade das juventudes. Como senhor compreende a colaboração desses espaços de debates, como o Fórum de Juventude, dentro do contexto social brasileiro?

Profº Juarez – Acredito que qualquer espaço que as pessoas estejam discutindo, refletindo a princípio é positivo. Ainda mais em grupo, onde se criam interações, troca de ideias, troca de experiências, é muito positivo.

É necessário tomar cuidado para que esses espaços ampliem as potencialidades desses jovens em termos de temática, compreensão maior de si mesmo, uma compreensão maior de onde se insere e principalmente, uma questão que acho muito séria em se tratando de jovens, que contribua apontando projetos de vida. Se pensarmos nos jovens universitários que já tem minimante definido um rumo profissional, as reflexões devem interfirir concretamente na sua possibilidade de como humanizar mais a sua futura atuação profissional, de incorporar valores, nos seus projetos de vida de tal forma que ampliem uma massa de jovens com valores mais humanos, mais solidários, que contribua realmente no avanço da democracia no país.



Publicado em: 14/05/2012Página Anterior



Notícias Relacionadas:

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ - PUCPR

Câmpus Curitiba | Câmpus Londrina | Câmpus Maringá | Câmpus São José dos Pinhais | Câmpus Toledo | Tecnólogos - Unidade Centro - Curitiba