PUCPR

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Palavra do Reitor

Em primeiro lugar, gostaria de deixar um especial agradecimento ao Grupo Marista  e à Reitoria da PUCPR, pela confiança depositada na minha pessoa, indicando  meu nome, para  homologação,  à Sagrada Congregação para a Educação Católica do Vaticano para exercer a reitoria da Pontifícia Universidade Católica do Paraná pelo próximo quadriênio.

Agradeço também ao Prof. Paulo Otávio Mussi Augusto, que aceitou colocar toda a sua competência e dedicação à PUC, já amplamente reconhecidas, como vice-reitor para, juntos,  continuarmos o trabalho daqueles que nos precederam nessa missão. Sua experiência, como vice-reitor do Ir. Clemente nos últimos anos, certamente irá se constituir em diferencial fundamental para esta gestão, que ora se inicia.

Animado pela certeza de que não estaria sozinho em tão árdua empreitada, apoiado, de um lado pelo Grupo Marista, de quem sempre recebi apoio, confiança e carinho e, de outro, pela  qualidade e dedicação da nossa comunidade universitária, decidi aceitar essa difícil responsabilidade, colocando-a sobre os ombros como a grande missão da minha vida, como uma postura de serviço.

Responsabilidade tanto mais árdua, quando me vem à consciência o extraordinário trabalho desenvolvido pelo Ir. Clemente Ivo Juliatto, reitor  por 4 gestões, período que seguramente representou a transição da PUC à sua plena maturidade.  Basta analisar nossos resultados da avaliação trienal da CAPES, liberada há 2 dias,  para termos certeza de que a sinfonia foi muito bem executada e seus acordes irão ecoar por muito tempo.

O nosso compromisso efetivo, portanto será continuar a obra desenvolvida pelo Ir. Clemente e sua equipe, adotando a sua postura de ousadia, trabalho e persistência.  Queremos uma universidade a  serviço da sociedade, respondendo a seus anseios,  fórum de debates, centro irradiador de cultura, produzindo  ciência a serviço do país e formando pessoas transformadoras, com foco muito especial nos jovens,  que, juntamente com as crianças, foram  o foco da ação de Marcelino Champagnat, homem audaz e empreendedor, quando fundou o Instituto Marista, há quase 200 anos. Tudo isso sob o signo dos valores humanos, cristãos e maristas e que, por isso mesmo,  devem estar intimamente associados ao processo de educar e formar pessoas,  pois são complementares.

A PUC é antes de tudo uma universidade

Porém, como escreve o Ir. Clemente numa de suas publicações sobre a educação na PUC, “qualquer universidade católica considera-se primeiramente como universidade. O termo Católica é uma adjetivação, o que significa que ela age inspirada nos princípios e valores do cristianismo e orientada pela Igreja”  É o que pode ser lido no brasão da PUC:  Scientia, Vita et Fides. Ciência, Vida e Fé.

Indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão

A PUC, portanto,   tem premissas claras a cumprir como universidade. Isto significa que,  além daquelas que traz em si, decorrentes da sua condição de instituição católica e marista, devem fazer parte da sua essência o ensino, a pesquisa e a extensão.  Algo aparentemente simples. Quantas vezes falamos disso, quantas vezes já defendemos e desfraldamos essa bandeira como  missão maior da universidade. Sua importância é inconteste até pelo fato de  estar preconizada na nossa Carta Magna, quando, na segunda parte do seu artigo 207 afirma:  “as universidades (...) obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. A questão que gostaria de abordar neste momento, e que buscaremos priorizar,  tem a ver exatamente com essa máxima constitucional, ressaltando que ela vale, primeiro, para todas as universidades e, segundo, o enunciado não é apenas um conselho, uma recomendação. É uma ordem.

Há, porém, um  detalhe que na maior parte das vezes passa desapercebido:  é o princípio da indissociabilidade. E aí, em grande parte dos casos, entende-se erroneamente que ensinar, pesquisar e fazer extensão são 3 funções que pouco ou nada tem a ver entre si, cada uma podendo ser trabalhada em separado no seu canto. Não atentamos que   indissociabilidade deve ser entendida como “princípio”, que, como se sabe, é algo inegociável, portanto  algo mandante. A insistência do lesgislador nesse preceito certamente tinha uma razão de ser: sem  a indissociabilidade, a universidade deixa de cumprir o seu preceito básico na formação do seu aluno, prejudicando-o no seu processo de descortinar, para si próprio, suas potencialidades.

É esse o pacto, muito mais moral que legal que a universidade deve estabelecer com o aluno que aqui vem buscar sua formação.  É a expectativa de que as etapas formativas que compõem esse processo não lhe sejam sonegadas.  Pacto, cujo cumprimento deve ser objeto do mais cuidadoso acompanhamento institucional, a respeito do qual  toda a corporação universitária deve estar  consciente.  

Como se vê,  praticar ensino, pesquisa e extensão como processos indissociáveis, embora não seja algo fácil,  é o grande desafio da universidade e, ao mesmo tempo, sua marca maior.

A importância do conhecimento e da extensão

Pois bem; a fonte para  a busca de resposta ao seu grande desafio  repousa justamente no  seu apanágio maior, chamado conhecimento. O conhecimento, aliado à extensão,   deve ser sua fonte inspiradora maior,  diria mesmo, seu DNA. Sem o conhecimento, o ensino e a extensão perdem seu foco, o elo que os entrelaça, legitima e os torna de fato  indissociáveis.

Sem colocar o nosso aluno em contato, direto ou indireto, com essa realidade, sem transformar sua formação num ato de reciprocidade, realizado a quatro mãos,  a  indissociabilidade  entre ensino e pesquisa e extensão, não passa de promessa não cumprida. Essa reciprocidade entre mestre e discípulo é uma das   missões primordiais de uma universidade, senão a mais importante, em especial quando se fala de uma instituição católica.

Já por meio da extensão  o aluno vai perceber a  legitimidade e relevância social da universidade e abrir a sua mente para o mundo que o rodeia, com todas as suas grandezas e vicissitudes.

Em não ocorrendo interação, teremos uma universidade fragmentada, onde suas funções básicas, sempre apresentadas como indissociáveis, estarão  sendo praticadas de forma dissociada. Mantê-las interligadas é  sonho? É utopia? Pode  ser. Mas o sonho nos leva à ousadia, à criatividade e à persistência. O sonho nos traz desassossego, tensão, busca perene pelo melhor. Somente assim afastaremos o pacto da mediocridade, antítese de uma boa formação.  

Professor educador x preocupação social da PUCPR

Essa premissa que defendo, porém, somente estará completa  se o docente  aliar às condições de professor o segundo compromisso: ser educador. Faço de novo minhas as palavras do nosso Ir. Clemente, quando diz:  “É nessa dupla condição, de ensinar e educar que está a real grandeza do mestre. E continua o Ir. Clemente: por educação deve-se entender a transmissão de valores, posturas e conduta cidadã, o que o distingue de instrução, entendida como transmissão de conteúdos e de competências específicas”. Conforme Paulo Freire “ transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formativo”.

Nesse contexto de instituição educadora, considero que o papel da universidade, ao receber seus alunos, não se resume  apenas em direcioná-los às suas respectivas salas de aula, onde deverão cumprir o rito do ensino. É preciso avaliar também a sua maturidade, o seu preparo geral, as deficiências herdadas da sua formação básica, que poderão se tornar graves empecilhos para uma formação sólida, com reflexos negativos para o seu futuro como profissionais e cidadãos.

Uma universidade que vê no seu aluno um parceiro numa caminhada para o futuro, alguém engajado numa grande aventura humana,   alguém de quem conquistamos a esperança, não pode tratá-lo  apenas como número. É fundamental que ele seja o ator principal da sua aventura de formação e não um coadjuvante sem importância.

O que estou querendo dizer é que a nossa obrigação com esse aluno, sobrepassa a sala de aula. Isso significa que entre o portão da universidade e a sala de aula há uma outra etapa a ser cumprida. É nesse intervalo que também nos cabe agir.

Não é outra a razão que cada um de nós vê na universidade que mais nos marcou a nossa alma mater. Alma Mater é a universidade mãe que desvelou nossas potencialidades, permitindo que nos conhecêssemos,  para melhor cumprirmos nossa função cidadã.

Inovação

Outra questão que hoje impacta a universidade tem a ver com a inovação. Enquanto no século XIX  a pesquisa passou a fazer parte da essência da universidade, ao lado do ensino,  no século 20 temos a inovação. Ou seja; houve uma expansão estratégica  do  foco tradicional da universidade, agregando à sua missão direta – ensino e pesquisa - o processo de desenvolvimento econômico, cultural e social da sociedade. Portanto, o conhecimento passou a ser o vetor  do desenvolvimento sustentável,  sendo as universidades as instituições chave nesse contexto, por responderem pela formação de um sólido capital humano e um eficiente sistema de inovação, ambos indispensáveis na sociedade do conhecimento.

Por esse motivo é imperioso  ressignificar a Universidade para essa nova condição, voltada para a geração de conhecimento aplicável, para fazer, juntamente com a empresa e o estado,  com que a tripla hélice do desenvolvimento funcione em plenitude.

E quando se fala em inovação, é  indispensável incluir ali também o ensino, visando adequá-lo aos tempos atuais,  à realidade da geração que vem em busca de formação e que nem sempre consegue alinhar o seu jeito de ver o mundo com metodologias por vezes superadas, currículos superlotados, onde a aprendizagem nem sempre  consegue se compor com a realidade do  dia a dia do aluno. É preciso que ambos, universidade e estudante, consigam dialogar, consigam entender que os limites didáticos e pedagógicos não são imutáveis, estáticos, que o ensino não é avesso à inovação.

Interdisciplinaridade e multidisciplinaridade

Acrescente-se que para fazer ciência que produza impacto e que resulte em desenvolvimento há necessidade de agregar conhecimentos gerados em diferentes pontos do país e do planeta, com o  estabelecimento de redes entre  pesquisadores, laboratórios e empresas, exigindo-se, portanto, a queda de fronteiras entre departamentos, escolas, institutos, universidades e países como premissa para o sucesso da pesquisa e da inovação. Isto significa que a  interdisciplinaridade e multidisciplinaridade são  um desafio que caracteriza uma nova abordagem científica, cultural e epistemológica do conhecimento.

Internacionalização

Quando se discute a universidade e sua inserção global, a internacionalização deve ocupar  espaço fundamental,   para  inseri-la no mundo da ciência, tecnologia e inovação. A internacionalização, portanto,  é um processo que busca integrar a dimensão internacional, intercultural e global às metas e funções do ensino superior. A internacionalização faz  abrir a universidade para o mundo e aproximar o mundo da universidade – duas necessidades enormes, em especial  no caso brasileiro.

Conclusão

Para concluir, gostaria de utilizar algumas reflexões do Ir. Sean Dominic Sammon, ex-superior geral e uma das personalidades mais carismáticas  do Instituto Marista a respeito do sentido e missão de uma Universidade Católica,  com dimensão Marista.

É importante ter claro que as universidades  não podem ser entendidas  apenas como escolas profissionais,   e sim  comunidades de pessoas conscientes  de que estão cumprindo uma missão,  a quem foi confiado o desafio de ensinar pessoas jovens a sonhar, a irem além daquilo que elas sabem e até imaginam que é possível.

Isto significa que a sua missão é também  uma questão do coração e não somente da mente e das mãos. E é por isso que uma universidade com grandeza resiste à tentação de preparar a pessoa apenas para uma carreira enquanto se esquece de prepará-la para a vida.

Num mundo  cada vez mais internacional e multicultural, devemo-nos perguntar: estamos preparando nossos estudantes para o mundo que está emergindo e, mais importante, os preparamos para assumir seu papel de  delinear o novo mundo?

É por essa razão que uma universidade católica  merece esse nome não apenas pela qualidade de seus cursos, mas também pelo papel evidente que a fé cumpre em modelar o comportamento de todos os que a consideram como sua própria casa.

Finalmente, a dimensão Marista. Ela começa com Marcelino Champagnat, um homem que simplesmente estava apaixonado por Deus. Esse fato fez a diferença na sua vida. Marcelino não se propõe a estabelecer uma rede de escolas, mas em transformar os corações dos jovens. Ele via na educação o melhor meio para atingir esse objetivo que tinha em mente. O sonho de transformar os corações dos jovens,  tão vivo e ativo em Marcelino, deve viver e respirar em cada ação  nesta universidade.

Uma Pontifícia Universidade Católica com grandeza na tradição Marista, como a nossa, dedica-se a um rigoroso desenvolvimento da pessoa humana, que em palavras e ações ensina seus alunos a sonharem, sonharem sonhos grandes de mudar o mundo,  e vê na fé  um elemento fundamental e insubstituível desse esforço.

É a Ciência, a Vida e a Fé convivendo e se complementando.

MUITO OBRIGADO

Reitor Waldemiro Gremski

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ - PUCPR

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