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A realização de um congresso sobre leitura representa um importante papel para a cultura brasileira. É preciso que se instaure em nosso país um trabalho conjunto de reflexão sobre o pensar a respeito de leitura e as práticas leitoras sobre os textos da realidade. O Brasil está classificado entre os dez países com a pior distribuição de renda mundial. Não se pode ignorar o fato de que, das verbas arrecadadas, um valor ínfimo é destinado à educação, o que contribui para a inexistência de programas continuados de leitura, em ambientes escolarizados ou não, e quando menos sobre sua eficácia. Pesquisas recentes constataram um elevado e assustador índice de crescimento dos chamados analfabetos funcionais - os que são incapazes de escrever um texto coerente de dez linhas e de dominar 200 palavras da língua - são pessoas que, embora escolarizadas encontram extremas dificuldades de interpretar um texto. A partir disso se percebe a falta do exercício da leitura verbal e o fato de que a escola não tem dado conta de formar cidadãos competentes à leitura. Soma-se a esses problemas a quantidade desanimadora de pessoas desqualificadas para o mercado de trabalho e que se encontram à margem do direito de exercer a verdadeira cidadania que lhes garante a Constituição Brasileira. Um dos papéis da escola é o de formar cidadãos aptos à compreensão de textos complexos e de documentos – para que possa ser exercido o direito à cidadania – porém, só a escola não conseguirá solidificar o leitor sem uma sociedade que a ampare. Por isso ser e formar leitores pressupõem algo extremamente complexo, algo que vai além do fato de simplesmente fazer correspondências entre o som e a letra. Ser leitor significa entender o próprio o homem, sua história e o mundo que o envolve, é estar apto a criticar, refutar e contribuir para o desenvolvimento de toda a sociedade. Já se constatou que a falta do hábito de ler e a incapacidade da compreensão daquilo que se lê estão intimamente ligadas à desigualdade social e às precárias condições de vida da população. É preciso que haja em nossa sociedade a consciência de que ter qualidade de vida não significa somente se alimentar bem, se vestir adequadamente ou estar numa casa segura e confortável. O bem estar do brasileiro só vai ser completo quando houver um índice satisfatório de edição, vendagem e consumo de livros, o acesso maior aos bens de cultura, às livrarias, às bibliotecas e não somente isso, mas o mais difícil, tornar o Brasil um país onde o povo sente prazer em ler e em compreender o universo que o cerca. Diante disso, a responsabilidade em formar um grupo de indivíduos leitores não cabe somente à escola, é um dever de toda a sociedade. A intervenção de todos os segmentos sociais no processo de aperfeiçoamento cultural do Brasil vem se desenhando com nitidez nos últimos anos - mas ainda com insuficiência - seja através de projetos de incentivo à leitura, seja através de atuações concretas na capacitação de leitores, na construção e atualização de acervos de bibliotecas ou em apoio a escritores e pesquisadoras. A insuficiência da contribuição dos segmentos sociais no aperfeiçoamento cultural do país está relacionada ao fato de que, infelizmente, impera em nossos dias o individualismo passivo. As pessoas estão indiferentes diante da problemática que envolve a leitura, poucos são leitores e menos ai nda é a quantidade de indivíduos que se preocupam com os analfabetos funcionais. Isso significa que conviver com os indícios da crise cultural brasileira e encarar o fato como natural faz de nós participantes desse drama coletivo. As conseqüências são degradantes: alienação para uns – no sentido de estarem ociosos diante de um problema social e isolamento cultural para outros – no sentido de serem privados de compreenderem as questões sociais, políticas, culturais, literárias, etc... São esses argumentos que motivaram a Direção dos Cursos da Área de Letras da PUCPR a organizar um Congresso de leitura em que pudessem ser discutidas essas e outras questões relativas à leitura, visando ao estabelecimento de reflexões, pesquisas, políticas, parâmetros e decisões, com o fim de promover na sociedade brasileira o aumento gradativo e qualificado dos índices de leitura.
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